‘You Need to Calm Down’ e ser quem você é
O medo da rejeição familiar e o alívio do acolhimento: veja como os corredores da universidade se tornaram um refúgio para um jovem estudante.

Por Hanna Queiros
Essa é a história de um amigo muito querido, de como ele se assumiu gay para os pais e de que forma o curso de Jornalismo foi essencial para isso. Vamos chamá-lo de Tobias.
Lá por volta de 2019, Tobias, filho de família evangélica e também frequentador da igreja, entrou para o curso de Jornalismo da UFC.
Foi durante a semana de recepção dos calouros que ele participou de uma oficina sobre diversidade e, então, tudo mudou.
Ainda no primeiro semestre do curso, Tobias tinha uma viagem marcada para uma segunda-feira e um dia antes, no domingo, decidiu mandar uma mensagem — o famoso textão — para os seus pais, finalmente se assumindo.
Ele só fez isso desse jeito porque tinha medo de ser expulso de casa.
— Lembro que, um dia depois que eu me assumi, voltando para casa, eu ainda pensei: "Meu Deus, por que eu não me jogo desse ônibus?", de tão surtado que eu estava, haha.
Acabou que nem foi preciso tomar uma medida tão drástica. Muitas vezes, pensamos que a figura paterna — principalmente o pai de Tobias, por ser evangélico — não aceitaria um filho gay. Pelo contrário, ele foi aceito e acolhido.
Já sua mãe deu uma "surtada" inicial, mas um mês depois ela já o havia aceitado também.
— Minha rede de apoio, na época, era a turma do jornalismo.
Um refúgio. É assim que ele descreve o curso.
E a música "You Need to Calm Down", da cantora Taylor Swift, é a trilha sonora dessa época e, em específico, da vida de Tobias.


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